26 janeiro 2015

Resenha: O Rei Negro

Editora: Gutenberg
Autor: Mark Menozzi
Páginas: 399

"- E como você vai descobrir que foi perdoado?

- Quando o Bracelete da Culpa estiver branco como a neve. - Gulneras tocou o bracelete com o cachimbo. - Vê estas listras brancas? Parecem arranhões, mas não são. Nada pode modificar este metal. Estas linhas indicam o quanto o bracelete está mudando. E, como pode ver, até agora não mudou muito... - Gulneras desandou a rir. - Estou com vocês por causa disso. Só os estou acompanhando porque o Bracelete da Culpa me obriga. - Gulneras deu outra longuíssima puxada em seu cachimbo, e concluiu: - Decepcionado?" (Pg. 133 - 134)

Um dos melhores livros que já li.

O mundo, Valdar, é incrível. A história dele também. As raças presentes, seus deuses, e a forma tudo é entrelaçado e narrado tornam "O Rei Negro" em um excelente representante da literatura fantástica.

Mas ok. Vamos por partes, como diria Jack o Estripador.

Manatasi é o Príncipe das Catorze Tribos do Warantu, e um dos motivadores da história. As partes em que ele aparece são narradas do ponto de vista do seu xamã, um jovem chamado Sirasa. E que acredita que a aventura para a qual Manatasi os está arrastando, para conhecer os heróis lendários de Kemyss, é uma bela de uma furada. Não dá pra culpá-lo, mas, sinceramente? Impossível não gostar da coragem do Manatasi ou do pessimismo do Sirasa. Opinião minha.

Gulneras, outro dos personagens, é um elfo. Não um elfo qualquer, como dá pra perceber pelo trecho com o qual iniciei a resenha. Mais especificamente, ele é um shazir buscando se redimir. "Ah, mas o que ele fez?" *tom infantil* Não conto! Leiam pra descobrir, vale à pena. É mais uma parte da intrincada trama do livro, do universo de Valdar, e vale à pena descobrir cada pedaço por si mesmo.

Existem outros personagens, como Audácia (nada direi além do nome, porque é um baita spoiler), Kenna (outro elfo xD), Kade e sua filha Kestel (duas do povo do Warantu. Kestel é uma fofura eeee... O motivo para os personagens principais acabarem por se encontrar. Pronto. Conto mais nada) e Maugis, um senhor que já foi um grande guerreiro, entre outros. Cada personagem foi bem construído em seu papel e aprofundado na medida certa. São únicos.

A narrativa é leve, de certa forma. Você vai lendo e lendo e lendo, e e não percebe o quanto leu, ajudado pela diagramação bem espaçada e pela folha amarelada: não cansa. É fácil imaginar os personagens e o ambiente com a narrativa descritiva, mas não massante.

Todos os pontos também são muito bem amarrados. No começo, certos capítulos de alguns personagens parecem meio aleatórios, difícil de ver onde se encaixam na história, mas conforme se avança, Mark Menozzi vai puxando cada linha e fechando a trama, cuidadosamente. Só lamento que, apesar da existência de ganchos para um próximo livro, até agora, nem sinal. Realmente gostaria de ver mais do meu xamã pessimista.

Para quem pensa que o título, "O Rei Negro", é por causa de Manatasi... Pense de novo. E leia para descobrir.

E antes de encerrar a resenha: olhem bem essa capa. É tão... A ilustração, o título... Eu piro. Muitos parabéns ao ilustrador por ela: é digna de um livro de fantasia tão envolvente.

Classificação Final: